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domingo, 11 de outubro de 2009

Dia do Professor

Sei que ainda falta um pouco para o dia 15 de outubro, mas como hoje estou com tempo, resolvi fazer este post. Não sei como está o ensino nos colégios particulares, por isso vou falar do público, que tenho acompanhado de perto. Minha filha está na 3ª série de uma escola estadual e tem tido dificuldades para se concentrar devido conversas paralelas, crianças que se levantam de seus lugares e ficam andando pela sala, outras que brigam, etc. A professora chama a atenção dos alunos, passa cópia no fim do dia para aqueles que não melhoraram de comportamento após ela reclamar e, apesar de todo o esforço dela, é com grande dificuldade que ela passa o conteúdo para a turma.
Esse problema se repete em muitas salas, pois o professor de hoje não tem conseguido ser respeitado. Há crianças que, ao serem repreendidas pelo mau comportamento, até partem para a agressão física, batendo no professor e afirmando que se ele encostar a mão nelas vai para a prisão. É claro que essa é uma situação extrema, que precisa inclusive da intervenção da direção. Mas que, infelizmente, já aconteceu. E todos esses comportamentos mostram que essas crianças não sabem valorizar a função do professor e, o mais importante: elas não o respeitam.
Por mais que o professor queira impor limites, há uma parte que não depende dele: a educação fornecida pelos pais. Essa educação é a base da conduta da criança e é o que faz com que ela respeite ou não o professor. Quando vejo uma sala barulhenta, desorganizada, vejo não apenas um professor com problemas de indisciplina. Vejo também crianças com carência de pais mais ativos, que deveriam estar moldando os futuros indivíduos ao invés de delegar a educação apenas para o âmbito escolar.
Há muitos pais que acham que educar é função única da escola e eles estão muito enganados. A base da educação infantil é a família e pais negligentes poderão ver seus filhos tornarem-se delinquentes ou usuários de droga. E depois, se perguntarão: "Onde foi que eu errei? Alimentei-o, levei-o para escola, dei-lhe roupa, brinquedos...", como se dar somente essas coisas fosse o suficiente. Muitas vezes, faltou carinho. Outras, repreensão. Educar é dar limites, orientar, esclarecer as dúvidas e, principalmente, estar presente. Mesmo que seja por pouco tempo, mas sempre com qualidade.
Somente quando os pais dão a base é que os professores podem fazer a parte deles. Quando a criança respeita o professor, a aula flui melhor e ela consegue aprender muito mais. É bom para o professor e, principalmente, para o aluno, que não só sairá da escola mais preparado sobre as matérias formais, mas também será um melhor indivíduo e um melhor cidadão. O futuro da sociedade depende das crianças que educamos hoje. Que adultos queremos formar?




Aproveito para deixar mais algumas mensagens para os professores, pais e alunos:
Aos professores, que comemoram o seu dia, parabenizo-os pela dedicação. Não desanimem. Ainda há muitos alunos que querem aprender e, enquanto eles estiverem lá, sempre vale a pena.
Aos pais, mais atenção. Vocês são a base do caráter do seu filho, ensinando-o o certo e o errado. Você devem dar amor, muito amor. E também limites.
Aos alunos, mais reconhecimento. Aulas requerem um trabalho antes, durante e depois. A dedicação começa no preparo do material, estende-se para a apresentação e continua com a correção de provas e trabalhos. Sua atenção durante as aulas é a melhor forma de agradecê-los.

Parabéns, professor! Sua ação é fundamental para a construção de um mundo melhor!
Se quiser ver a homenagem do Dia do Professor que fiz em 2007:

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Disciplina: base para uma vida harmônica em sociedade

Estava lendo uma revista Veja do ano passado quando me deparei com este artigo:


"A casa destruída

Um casal de amigos avisa que vem me visitar. Sinto um arrepio de terror. Não por ele. Somos próximos desde seu casamento. Mas devido aos dois pequenos! Corro para colocar os objetos no alto de estantes, dentro dos armários da cozinha, etc. Somem vasos, castiçais, cinzeiros. Arrumo a mesa de centro com copos, queijo, bolachas, docinhos. Escondo um patê no fundo da geladeira, assim como um vidro de berinjela no azeite. "Tudo o que possa derramar será derramando", aviso a mim mesmo. As crianças são umas gracinhas. Lindas. Inteligentes. Ágeis. Mas os pais são incapazes de dizer "não".
Logo depois que ele chegam, a casa parece ter passado por um arrastão. Restam os copos, é claro. Assim que sirvo o refrigerante, o garoto arrebenta o seu contra a mesinha. Posso parecer rabugento. Mas qual motivo de ele sorrir alegremente? A mãe também sorri:
- Quebrou! Quer tomar no meu copo, filhinho?
- É melhor recolher os cacos, senão as crianças podem se cortar - diz o pai, imóvel.
Enxugo. Limpo a mesa, o tapete. Minha amiga indaga distraidamente:
- Era parte de algum jogo?
- Não faço questão de ter copos iguais, vivem quebrando.
Por que disfarço? Para preservar a amizade. Se disser um "ai", ela se voltará contra mim. Não admite que alguém dê bronca nos filhos! Ouço gritos. É a menina. Acaba de derrubar meu vaso de violetas preso na parede. Ficou na pontinha dos pés e puxou. O pai vai abraçá-la.
- Machucou, bonitinha? Não chora, não chora...
Agora é a vez de varrer o chão. Ganhei as violetas de presente há alguns anos. Eram lembrança de uma grande amizade. Saio da recordação ao ouvir novo grito lancinante. O garoto escorregou. Bateu o queixo e está sangrando. Enquanto a mãe lava o ferimento e passa remédio, ele consegue atirar meu sabonete perfumado dentro do vaso. Olha para mim e sorri. Arreganho os dentes de volta. Aproveito e faço uma expressão monstruosa. Ele grita e se refugia nos braços maternos. Ela me encara com horror.
- Só brinquei - digo inocentemente.
- Viu? Era só o tio! Vai, abraça o tio.
Ele vem para o meu colo. Há um instante de trégua. Até ele puxar minha corrente com o crucifixo. Os elos arrebentam. A mãe observa fracamente.
- Ih! Arrebentou a correntinha do tio.
- Corram aqui! - grita o pai.
A garotinha acaba de botar a cruzinha de ouro na boca. Eu seguro seus braços, a mãe a cabeça e o pai abre os dentes cerrados. Consegue agarrar o pequeno crucifixo antes que ele seja engolido. Quando terminamos, cadê o garoto? Procuramos pela casa desesperadamente. Ouço um latido. Ele fugiu pelo portão! Tenta agarrar o doberman do vizinho, que passeava com o cão. O dono puxa a coleira para impedir que o cachorro trucide a criança. Berra:
- Sai daqui, sai daqui!
A mãe afasta o menino, furiosa:
- Não grita com o meu filho!
O anjinho chora mansamente, magoado! Sirvo rapidamente os bombons quardados na geladeira. As crianças adoram. Aproveitam para exercer suas habilidades artísticas no sofá branco e nas almofadas, em que passam os dedos com as mãos imundas de chocolate.
- Vocês sujaram o rosto! - descobre a mãe.
Olho em torno, desconsolado. Onde estará o tira manchas? O casal despede-se.
- As crianças precisam tomar banho. Foi uma tarde ótima. Caio sentado no sofá. Vejo a cadeira virada, mas não tenho forças para arrumá-la. Por que alguns pais e mães são incapazes de dizer "não"? E mais: como serão essas crianças quando se transformarem em adultos, crescendo assim, sem noção de limites?"
fonte:
Walcyr Carrasco
Veja SP, 13 de Junho de 2007

Esse texto mostra um problema familiar muito comum atualmente e que precisa ser urgentemente sanado: a falta de disciplina. Os pais não podem se tornar meros espectadores das artes de seus filhos. É preciso ensinar regras de bom comportamento e respeito ao que é do próximo. É indispensável que desde cedo as crianças tenham sua liberdade direcionada, para que elas saibam até onde podem ir e possam se tornar adultos com os quais seja possível uma convivência pacífica e digna.

domingo, 28 de outubro de 2007

No elevador...

Passei a tarde na casa da mãe de uma amiguinha da minha filha. Enquanto as crianças brincavam, conversamos muito. Foi uma tarde bastante agradável.
Na saída, chamei o elevador. Estava no 3º andar.

O elevador chegou com um senhor dentro, que fez menção de sair quando a porta se abriu. Cumprimentei-o e recebi uma resposta nervosa: ele estava preocupado porque o elevador começou a subir. Respondi que talvez fosse porque alguém o tivesse chamado em algum andar mais para cima.

Ele, em tom ansioso, disse que estava no 1º andar e só queria descer. Não entendia porque o elevador subia...

Apertou o 7 e disse que odiava elevadores, morria de medo de andar neles e queria descer, pois iria ao sub-solo. Nervoso, olhava a porta o tempo todo.

7º andar: a porta se abriu e ele desceu, dizendo que preferia continuar de escada.

A porta se fechou e o elevador continuou a subir.

Subiu até o último andar, o 15º. Subiu uma moça estressada, que já entrou reclamando. Disse que o hall estava quente, que estava um tempão esperando o elevador, que já havia batido na porta para reclamar com as crianças que ela imaginou que estavam brincando com os botões do elevador e, até o térreo, reclamou o tempo todo. Desceu, irritada e foi apressadamente ao portão. Ela estava com uma roupa bonita, talvez alguém a esperasse...

Não costumo usar o elevador, pois moro no 1º andar.
Não me lembro de ter vizinhos semelhantes quando morei no 15º...
Mas se alguém tem medo de levador, porque usa um para ir do 1º para o sub-solo?
E se o elevador costuma demorar, reclamar acelera?

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Desculpe, Obrigado e Por favor...

Desculpe-me pelo que fiz,
obrigado pelo que fez
e por favor, faça algo por mim.

Desta maneira, reconheço meus erros,
agradeço as gentilizas dos outros
e peço educadamente para alguém fazer algo por mim.

Quantas vezes não percebemos que as pessoas erram sem admitir,
acham que o que fazemos não é mais do que nossa obrigação e não nos agradecem
ou, ao invés de pedir, ordenam algo?

Àqueles que fazem pouco uso das referidas palavras:
Por favor, desculpe-se mais.
Por favor, agradeça mais.
Por favor, peça quando quiser algo.
Obrigada!


Para saber mais sobre o uso da palavra "Obrigado":
http://www.gramaticaonline.com.br/gramaticaonline.asp?menu=2&cod=276&prox_x=1

Desculpar-se é considerado virtude no Japão. Leia mais:
http://www.noticiasdobrasil.com.br/desculpas.htm

A falta que faz "Por favor" na China (dia 08/07/07):
http://oglobo.globo.com/blogs/gilberto/default.asp?a=25&periodo=200707

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Sobre o lixo nas ruas...

Ontem fiz um post sobre a falta de conservação dos bens públicos e comentei sobre o lixo jogado por todos lugares. Isso é algo que realmente me incomoda, pois vejo lixo jogado nas ruas, calçadas e terrenos vazios. Hoje, quando passei no site da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, encontrei a seguinte matéria: "Hideaki Iijima 'passa' pela FCM e deixa lições para um planeta limpo ". Ao ler o texto, verifiquei algo que eu tenho sentido falta: pessoas engajadas em modificar a situação atual. Hideaki Iijima deu uma palestra onde contou como faz a sua parte para colaborar na construção de um planeta melhor para as gerações futuras. Não precisamos fazer exatamente como ele, mas podemos encontrar a nossa maneira de colaborar.
Quando eu deixo de jogar algo no chão para guardar para desprezar no próximo lixo que encontrar, estou deixando de sujar e dando o meu exemplo. Infelizmente, percebo que alguém por perto displicentemente atira seu lixo ao chão, esteja essa pessoa a pé, na janela de um carro ou de um ônibus. Tenho ensinado a minha filha a fazer o mesmo e percebo que tem dado bons resultados. Ela chegou a questionar um adulto, que disse: "Por que não jogar? Há funcionários contratados para limpar as ruas. Se eles não tiverem serviço, ficarão desempregados!". Ela não concordou com ele e chegou a me comentar de lado que se ele era assim quando todos o olhavam, imaginem quando ninguém estivesse por perto...
Mas eu não me conformo! Como alguém pode pensar assim e se achar com a razão? Quer dizer que varrer as folhas das árvores não é o suficiente? É preciso varrer com elas toda uma variedade de embalagens vazias e papéis amassados para que o funcionário seja mais necessário?

Site da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp:
http://www.fcm.unicamp.br/
Matéria de Hideaki Iijima:
http://www.unicamp.br/unicamp/divulgacao/BDNUH/NUH_8729/NUH_8729.html

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Público x Privado

Na verdade o fato que iniciou o que vou comentar agora ocorreu ontem, mas somente hoje tive mais tempo para escrever sobre o assunto. Trabalho em um hospital escola público, portanto custeado com o dinheiro dos impostos pagos por todos. Alguém que freqüenta a instituição roubou o data show da sala de aula. Isso foi durante a hora do almoço, quando todos saíram e o responsável esqueceu-se de trancar a sala, que só é aberta para as aulas. Ou seja, alguém que sabia que o aparelho estava lá, passou após o último aluno sair ou foi o último aluno a sair e fez o furto. Conclusão: as aulas que utilizariam o aparelho foram suspensas por tempo indeterminado e sabe-se lá quando o governo liberará verba para a aquisição de um novo aparelho. Isso só vem a somar a todos os atos que tenho presenciado ultimamente e concluo que cada vez mais brasileiros não sabem respeitar os bens públicos. São pichações, depedrações e atos de vandalismo à fachadas e esculturas, invasões e furtos à escolas e postos de saúde, além do lixo jogado a todo e qualquer lugar. Perdeu-se o respeito. Acabou-se o valor. Poucos se preocupam em preservar e evitar mais gastos aos cofres públicos. Cada um só se preocupa com o que é seu. E o que é do outro, de todos? A palavra que falta é educação! Seja vinda do exemplo familiar ou abordada pela escola, é preciso urgentemente criar uma nova geração de indivíduos mais conscientes e responsáveis. Hoje ainda há alguns que se importam com a conservação do patrimônio público, mas se não nos preocuparmos em formar os novos indivíduos, que futuro eles terão?