segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Finados: Um momento de reflexão

Muitas religiões prestam homenagem aos seus antepassados, o que demonstra a valorização daqueles que são as origens da nossa família. Saber a importância daqueles que são o motivo de existirmos hoje é fundamental, por isso venho ressaltar não a importância de valorizar os que já partiram, mas sim daqueles que ainda estão entre nós: nossos pais idosos, avós e bisavós.
Muitos moram conosco e não lhes damos a verdadeira atenção. Outros, moram distantes e não ligamos ou visitamos, esquecendo de separar uma parte do nosso tempo para conversar com eles. Agora, vou contar três histórias, para que você as conheça e reflita sobre elas.

Uma senhora de oitenta anos me contou que teve quinze filhos, que era viúva e que estava preocupada com o fato do namorado querer fazer sexo com ela recém-operada. Perguntei-lhe qual foi a orientação médica. Ela respondeu que a recomendação era de um mês sem fazer sexo e que ela pretendia cumprir mesmo precisando ir contra a vontade do namorado, que era bem mais jovem e insistia que precisava ser satisfeito. A história dessa senhora me impressionou em dois aspectos: o fato de ela estar com oitenta anos e não ter vergonha de falar de sexo (olha que eu nem perguntei) e o fato dela ter tido quinze filhos (já pensou: quinze gestações, quinze partos?). Abismada, resolvi comentar a história com uma colega de trabalho. A primeira coisa que escutei foi que a senhora era bem fogosa para a idade, pois ao contrário da mãe dela que nunca mais quis saber de homem depois que ficou viúva, não só arranjou um namorado como ainda tinha dificuldades em não fazer sexo.

Na segunda história, me contaram que um senhor de mais de setenta anos sofreu um derrame assistindo ao violento noticiário que costuma chegar todos os dias em nossas casas. Meses depois, vendo outra notícia violenta, novo derrame e o idoso passou a usar cadeira de rodas. O que me faz concluir que a família continuava expondo o idoso à violência dos telejornais, apesar do primeiro derrame. Será que pararam depois do segundo?

Terceira história: uma senhora de sessenta e nove anos, ao ver uma matéria interessante na televisão, envia um email para a emissora pedindo um número de telefone para entrar em contato com os realizadores da matéria. Ela costumava ver todos os dias o mesmo canal e mandou o email para a emissora habitual. A emissora respondeu que a matéria havia sido transmitida em outro canal e satirizou o fato de que provavelmente a senhora mudou de canal e nem percebeu. A senhora, chateada, comentou com sua filha o que aconteceu. A filha achou que a mãe “pagou o maior mico” e teve vergonha dela ao imaginar a direção da emissora recebendo tal email. Depois que essa filha foi para a faculdade, a senhora comentou com o filho que chegou do trabalho. Em momento algum ele demonstrou estar envergonhado com a confusão da mãe dele, disse que ela não deveria se preocupar que provavelmente quem respondeu o email era um estagiário e que qualquer pessoa no lugar dela também poderia ter se confundido se estivesse acostumado a assistir diariamente a mesma emissora e se esquecesse que mudou de canal no comercial.

Agora, pense em cada idoso. Pense nas dificuldades deles e na forma como cada um que convivia com ele lidava com essas dificuldades. Foram as melhores atitudes? O que você faria?

Depois de pensar nesses três exemplos, pense nos idosos da sua família. Reflita sobre a qualidade da atenção que você oferece a eles.

Homenagem aos antepassados falecidos é muito importante. E aos vivos também!


2 comentários:

Mário Régis G. Sudo disse...

Ótima homenagem aos idosos, precisamos valoriza-los, e se o fato deles serem humanos não for o suficiente para isso, que seja por serem o depositário vivo de nossa história recente. Quando a minha avó morreu a segunda maior dor que senti, depois da dor de ter perdido uma pessoa querida, foi o fato de ter perdido junto com ela, parte da minha própria história. Quem eram os meus bisavós? O que faziam da vida? Como eles viam o mundo? Nunca me preocupei em saber e agora, nunca poderei saber.

Se tu gosta do Japão, tem um post antigo que que descreve um dia meu por lá, dê uma olhada e comente se gostar.

http://minuano.blogspot.com/2006/05/repost-para-quem-no-est-afim-de-rolar.html

ate mais

Felipe Revel disse...

Até hoje nunca perdi ninguem que tivesse uma grande ligação comigo, imagino que deve ser horrivel mesmo.

Minha bisavó, que era veio pro Brasil da Hungria, fugida da guerra, foi a pessoa que morreu que eu mais falei, acho. Ela tava bem velhinha, já não batia muito bem, e hoje vejo quantas informações legais eu poderia ter pego com ela quando viva...